Aprendendo a servir
Cabo Verde é um arquipélago na costa oeste do continente africano. Possui várias ilhas, todas dotadas de uma beleza natural incrível, aquele tipo de paisagem que você olha a natureza e percebe a mão do Criador. Na minha curta estadia de uma semana, neste lindo país, permaneci apenas na capital Praia, mas consegui encontrar tempo para uma volta de micro-ônibus em toda ilha. A beleza natural de Cabo Verde é de tirar o fôlego, cada paisagem mais linda do que a outra.
Mas o que mais me fascinou em Cabo Verde foi a população. Ainda sinto o coração quente lembrando das pessoas que conheci lá. Impressionante mesmo é a constatação de como essas pessoas conseguem ser muito mais felizes do que qualquer pessoa que eu possa conhecer aqui no Brasil. Sorrisos largos, alegria sincera, atitude positiva mesmo em face de uma realidade negativa é muito pouco para descrever o sentimento que guardo deles.
Fui até lá para um trabalho de voluntariado, para fazer Odontologia básica (extrações simples, pequenas restaurações, etc) mas acabei caindo de amores pela terra. Em cada pessoa que eu atendia eu percebia a necessidade de implantes dentários e ficava imaginando como se consegue viver sem a perspectiva de ter dentes ao menos para sorrir, o que dirá de se alimentar direito. Tentava me comunicar com eles da forma que podia, o que era, em alguns casos, um pouco difícil pois alguns falam apenas o crioulo, para explicar como é importante mehorar os dentes através de clareamento dentário, lentes de contato dental ou coras e facetas de porcelana.
A cada dia de trabalho que passava, ao fim do dia sempre me sentia muito cansado (se você se propõe a fazer voluntariado, é bom que tenha muita disposição e energia) mas não esqueço nunca o sentimento de gratidão que eles tinham pelo trabalho realizado. Os olhares dirigidos à nossa equipe ultrapassavam qualquer palavra entendida ou não entendida na mistura de português com crioulo naqueles dias, pois entendíamos o que eles queriam dizer com seus corações.
Após 7 dias, embarcamos de volta para Fortaleza com promessas de que voltaríamos. Ainda no avião, contemplando a semana corrida e lembrando dos acontecimentos recentes consegui entender, ao menos em parte, o porquê da alegria e felicidade deles. E, desde então, busco viver de forma semelhante a eles, com gratidão em meu coração pela vida que tenho, pela profissão, família, amigos. Aprendi com o povo cabo verdiano que ser grato por tudo o que se tem, e até pelo que se não tem, é o começo para uma vida feliz.




