Ir ao dentista pode realmente melhorar minha vida?

Já imaginou chegar ao fim de sua vida, olhar pra trás e perceber, com dor, as coisas que você deveria ter feito e acabou por não fazer? Muitas vezes não precisamos chegar ao fim da vida, mas consequências de algumas situações podem trazer embaraço mais cedo do que se imagina para uma mente mais sincera.

Relembrando o final do clássico filme “A Lista de Schindler” essa constatação sempre me deixa pensativo. Nessa película, Oskar Schindler, empresário alemão, passa a empregar judeus em suas fábricas para livrá-los dos campos de concentração nazistas. Um destino horrível e muito certamente a morte. Após um tempo, vendo as necessidades dos seus empregados, as lutas e injustiças sofridas por eles, Schindler passa, então, a subornar os oficias do Reich alemão com dinheiro e ofertas de luxo, fato esse que consumiu grandes quantidades de sua riqueza pessoal.

Já no fim do filme quando ele está se dirigindo para um carro com a finalidade de fugir, constata tristemente que ele poderia ter salvo mais pessoas se tivesse se esforçado mais. A atuação tocante me faz pensar sobre o que eu preciso deixar de procrastinar e me esforçar. As coisas que necessito focar, me concentrar agora, para que no futuro eu não caia em desespero e arrependimento por não ter trabalhado o passado.

Interessante notar como há um paralelo entre o arrependimento de hoje com as ações do passado em minha profissão. Não é incomum encontrar pacientes que chegam com sua auto-estima no chão. Que esquecem como sorrir adequadamente pois querem disfarçar certos defeitos no sorriso. Muitas vezes, encontro o mesmo discurso no início do tratamento: “eu sabia que precisava cuidar do meu sorriso, mas fui deixando para depois”. Ou também: “eu sabia que precisava cuidar dos meus dentes, mas o medo não deixava”. Sempre tem um “mas”. Infelizmente quando se trata da nossa saúde, seja ela geral ou oral (a oral muitas vezes se reflete na geral), não pode existir “mas”.

Para as pessoas que acordaram a tempo e removeram a conjunção adversativa (o “mas”) o tratamento odontológico pode ser simples (envolvendo desde corriqueiras coroas ou facetas de porcelana, lentes de contato dental e implantes dentários) ou complexo (estes envolvem reabilitações orais, grandes reconstruções ósseas através de enxertos, etc). Tudo vai depender do tempo em que o paciente decidiu se tratar. E depois de finalizado o tratamento muitas vezes encontro o mesmo discurso: “Por que não tratei antes?” Ou mesmo: “Por que demorei tanto?”. Uma vez entendida a beleza do novo sorriso, vem uma constatação semelhante ao protagonista do filme, a de que o que fazemos agora no presente nos trará uma realização maior no futuro.

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