Minha primeira coroa dental
Estava marcado para 8:30h da manhã. Cheguei no consultório às 8:00h, estava me preparando para realizar pela primeira vez na vida uma coroa odontológica cerâmica em um paciente no meu consultório particular. Durante a faculdade, trabalhamos apenas em modelos com dentes de resina. Ninguém da minha turma fez coroas cerâmicas em paciente algum. Dá uma certa angústia hoje, saber que durante 4 anos dentro da universidade dava para ter aprendido muito mais. Ficamos na vida acadêmica muito aquém do que poderíamos desenvolver. Talvez isso não tenha sido exclusividade da minha faculdade. Temos que pensar também que estávamos nos anos 90 do século passado. O sistema de ensino era muito arcaico, uma abordagem extremamente defasada. Além disso, estudei numa universidade pública, onde todos os professores são tratados igualmente, sem nenhum mérito para aqueles que produzem ou se dedicam mais. Um estímulo à mediocridade. Obviamente, tínhamos professores que se desdobravam e iam além. Infelizmente, eram exceções. Nos dias de hoje, apesar das dificuldades, observo que melhorou muito a qualidade de ensino com a atuação integrada das disciplinas. Durante meu tempo como professor universitário, senti que, atualmente, o aluno é melhor orientado, é mais desafiado e tende a se desenvolver muito mais. Bom, mas isso é outro assunto. Vamos voltar a meu consultório de início de carreira. Após terminar a faculdade, me especializei em endodontia e no ano seguinte fiz dois cursos de aperfeiçoamento, um de prótese dental e outro de implantes. Estava no meio do curso, já me sentia mais preparado. E resolvi colocar minha ousadia em campo. Agendei um paciente para trocar a coroa de um incisivo central superior que estava com infiltração e cárie nas margens do dente.
Fiz todo o processo, como havia estudado no meu curso de aperfeiçoamento. Removi a coroa antiga, melhorei o preparo do dente, removi a cárie, fiz uma restauração de resina na parte afetada e confeccionei no mesmo dia uma coroa provisória para aquele paciente. Um procedimento hoje que demoro entre 30 a 45 minutos, mas que naquele dia se estendeu por 4 horas. Pagamos esse preço pela falta de experiência. Tudo era novidade, estava ciente de como realizar todo o passo a passo na teoria, mas me faltava mão. O fato é que na sessão seguinte, confeccionei um casquete para moldagem. Pasmem, precisei fazer a moldagem 5 vezes. Simplesmente, não conseguia acertar. Mas meu paciente era realmente muito paciente. Até que deu certo. Depois foram sessões intermináveis de prova da estrutura metálica e da cerâmica, até que algum tempo depois, consegui fazer a cimentação da coroa de porcelana. Ufa. Após aquele meu primeiro caso, entendi muito claramente que aquela era a área da Odontologia onde eu iria atuar. Porém, sabia que me faltava uma coisa primordial com a técnica que eu estava utilizando. Falta previsibilidade. Logo depois, descobri que existiam técnicas de moldagem muito melhores e mais previsíveis que a já ultrapassadíssima técnica do casquete. Estudei profundamente muitos artigos e livros, o principal deles de um autor italiano que eu adoro, Mauro Fradeani. Fiz muitos cursos rápidos com enfoque em detalhamentos e refinamentos que eu ainda não tinha tido acesso. O resultado foi uma melhora expressiva dos casos que eu estava realizando. Consegui entender que somente muito estudo, trabalho e muitas horas de prática nos levam à excelência. Eu e toda equipe estamos muito conscientes disso. Dessa forma, não paramos de estudar e de treinar com afinco toda nossa equipe de dentistas para que a previsibilidade e a excelência seja a nossa marca registrada no atendimento a nossos pacientes. Além disso, o desenvolvimento tecnológico é constante. Os implantes estão evoluindo dia a dia. As cerâmicas avançaram tanto nos últimos anos que hoje já conseguimos confeccionar as lentes de contato dental, lâminas de cerâmica tão finas, que nos possibilitam transformar o sorriso de um paciente praticamente sem precisar desgastar seus dentes.
Atuar no universo da Odontologia é uma jornada extraordinária. Estamos sempre sendo desafiados a melhorar e o constante avanço tecnológico não nos deixa parar de estudar. O processo de atualização é constante e sabemos que será interminável.
Tudo isso é uma forma de respeito a nossos pacientes que após tantos anos continuam acreditando que somos os melhores no que fazemos. E esse é o nosso desafio. Sermos os melhores na técnica odontológica e no relacionamento com os nossos pacientes.
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