Como um dentista começa a exercer sua profissão – Parte III

A outra opção é montar um consultório particular e vou te contar como foi a minha experiência. Assim vou falar com mais clareza e autoridade, afinal é a minha própria história. Olha só, quando eu me formei, tinha apenas uma certeza na minha vida. Eu queria ir trabalhar no interior. Não sabia qual, mas queria ir para o algum interior. Não me importava se fosse grande ou pequeno, se fosse longe ou perto. Eu não tinha absolutamente nenhuma exigência, apenas queria recomeçar a trabalhar. Para mim, trabalhar era uma questão muito significativa, tendo em vista que trabalhei minha vida toda desde os 15 anos de idade sempre na mesma instituição, um banco cearense chamado Bicbanco, hoje já adquirido por um grupo chinês. Só parei de trabalhar quando ingressei pelo vestibular na faculdade de Odontologia da UFC e como o curso ocorria integralmente durante o dia, não me deixava opção de conciliar trabalho e estudo, o que eu tinha feito em todos os anos anteriores quando cursei Telecomunicações na Escolta Técnica Federal por 4 anos e a faculdade de Ciência da Computação da Universidade Estadual por 4 semestres. Por favor, não fique confuso. Eu realmente larguei tudo isso para fazer Odontologia. Como eu poderia imaginar naquela época, idos de 1996, que hoje estaria comandando uma clínica odontológica focada em estética, implantes dentários, reabilitação oral, lentes de contato, coroas e facetas de porcelana. rsrs. É uma história longa e disruptiva que vou explorar em outro post. Fica o meu compromisso.

Retornando ao ponto, eu estava decidido a ir para o sertão cearense. Eu tinha essa ideia por algumas coisas que rondavam minha cabeça. Eu vi que alguns caras que tinham se formado um pouco antes de mim, estavam mostrando um padrão de vida bastante alto. E mostrar padrão de vida alto naquela época era aparecer com um carrão, e eles apareciam. Em segundo lugar, ficar em Fortaleza era ser submetido a 2 opções que eu considerava terríveis, trabalhar para convênios de saúde ou clínicas populares ou montar um consultório próprio e vê-lo completamente vazio de pacientes. Eu sinceramente não queria passar por nenhuma das hipóteses. Então, comecei a visitar algumas cidades no interior com um punhado de currículos debaixo do braço. Meu Deus, o que eu podia mostrar no meu currículo? A resposta é … nada. Eu tinha me formado fazia menos de uma semana. Mas enfrentei essa ‘pequena’ desvantagem  e fui atrás de um emprego em alguma prefeitura. Uma após outra. Visitei dezenas. Quase nunca consegui ser recebido pelo secretário de saúde ou coordenador de saúde bucal. Então, era obrigado a deixar o meu valioso currículo com secretárias e pedir gentilmente para que elas, caso surgisse alguma oportunidade, entrassem em contato comigo. Até hoje ainda espero alguma dessas ligações. O fato é que meu telefone realmente nunca tocou.

Você pode estar se perguntando como eu fiz para começar a trabalhar como dentista. Bom, nessa época, como tinha zero de networking, aconteceu uma coisa realmente imponderável que mudou totalmente o rumo da minha. Mas isso fica para o próximo post.

 

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Confira nosso último post: Como um dentista começa a exercer sua profissão – Parte II